
A imagem de um encontro entre o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e o ex-governador Ricardo Coutinho, em Baía da Traição, provocou leituras que vão além de um gesto cortês. O episódio, passou a ser analisado sob o prisma de uma possível articulação para 2026.
Porém, Uma questão é levantada: o encaixe de Ricardo Coutinho converge com o grupo Cunha Lima, principal aliado do ex-prefeito?
Além desse percalço político, há outros episódios que marcaram a relação entre os atores. Lá atrás, na Operação Confraria, Cícero chegou a apontar diretamente Ricardo como responsável por sua prisão à época.
Outro ponto: Cícero acabou preterido pelo grupo Cunha Lima na disputa pelo Governo do Estado. Naquele momento, a escolha recaiu justamente sobre Ricardo Coutinho, movimento que redesenhou o cenário político e provocou mudanças políticas históricas no estado.
Apesar desse histórico, interlocutores avaliam que o próprio Cícero Lucena tem demonstrado capacidade de articulação em ambientes adversos. Ele conseguiu agregar à sua base nomes que se posicionavam como oposição ao grupo Cunha Lima, a exemplo do médico Jhony Bezerra, inclusive o levando para o partido de Pedro Cunha Lima, o PSD.
Esse conjunto de movimentos alimenta a leitura de que, no atual contexto, rearranjos considerados improváveis não podem ser descartados. Ainda que não haja qualquer confirmação de tratativas envolvendo Ricardo Coutinho, analistas já observam que a política paraibana tem histórico de reconfigurações construídas a partir de gestos simbólicos.
Publicamente, prevalece o discurso de cautela. O encontro segue sendo tratado como pontual, sem desdobramentos concretos até o momento.
Em um ambiente político marcado por rupturas e reaproximações ao longo dos anos, o episódio recoloca em debate os limites das alianças e até que ponto diferenças históricas podem ser relativizadas diante de novos interesses eleitorais.


