
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado nesta segunda-feira (26) pela Polícia Federal para entregar seus passaportes. A medida ocorre um dia após sua derrota na disputa presidencial e em meio a duas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em um dos inquéritos, Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas ao advogado Willer Tomaz. A investigação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Na última sexta-feira, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e cambial e outras medidas cautelares.
Entre os elementos investigados está uma conta da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado, na qual Flávio apareceria como usuário com acesso privilegiado, identificado como “master”. A PF apura a natureza dessa vinculação e a existência de eventuais movimentações financeiras.
Flávio também é investigado em outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, relacionado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF investiga tratativas para obtenção de recursos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.
A entrega dos passaportes ocorre ainda após declarações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na sexta-feira, durante entrevista nos Estados Unidos, Eduardo afirmou que, em caso de derrota nas urnas, defendia que o irmão deixasse o Brasil e contestasse o resultado eleitoral.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades nas duas investigações. A defesa de Willer Tomaz também contesta as suspeitas e considera desproporcionais as medidas adotadas.
Mesmo derrotado na eleição presidencial, Flávio permanece senador até fevereiro de 2027. Dependendo do enquadramento jurídico dos fatos investigados, os procedimentos poderão continuar no STF mesmo após o término do mandato.


