
A crise na coleta de lixo em João Pessoa, enfrentada pelo prefeito Leo Bezerra (PSB) logo nos primeiros dias de gestão, expõe mais do que um problema pontual. Revela uma herança administrativa incômoda, daquelas que não passam despercebidas e, definitivamente, não cheiram bem.
Bairros com acúmulo de resíduos, falhas no serviço e desorganização em áreas centrais mostram que o novo gestor começou o mandato lidando com um cenário crítico. Não se trata apenas de ajuste operacional, mas de um passivo que cobra resposta imediata e eficiente.
Ao afirmar que não vai esconder o problema, Leo adota um discurso necessário diante da dimensão da crise. A tentativa de maquiar a situação só agravaria o desgaste.
O lixo, neste caso, deixou de ser apenas urbano e passou a ser também político.
A situação reforça um ponto sensível nas transições de governo. Quando serviços básicos entram em colapso, o impacto recai diretamente sobre quem assume, mesmo que a origem do problema esteja na gestão anterior.
Leo Bezerra inicia sua administração pressionado a dar respostas rápidas. Mais do que limpar a cidade, terá que mostrar capacidade de organização e comando. Porque, no fim, o lixo acumulado nas ruas também carrega o peso de decisões que ficaram para trás.


