
A Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União e o Gaeco do Ministério Público da Paraíba, identificou indícios de ligação entre a gestão municipal de Cabedelo e integrantes do crime organizado.
Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, a advogada Cynthia Denize Silva Cordeiro, sogra do prefeito afastado Edvaldo Neto, foi apontada como defensora de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, considerado chefe do braço do Comando Vermelho no município.
As investigações indicam que Cynthia teria atuado como articuladora da aproximação entre a Prefeitura e a facção criminosa. O desembargador Ricardo Vital de Almeida, ao citar o Ministério Público da Paraíba nos autos, destacou que a participação dela “não teria sido acidental” e apontou atuação relevante no esquema.
De acordo com o inquérito, o grupo investigado é suspeito de desviar cerca de R$ 270 milhões por meio da contratação de empresas terceirizadas. Essas empresas, segundo a apuração, seriam utilizadas para empregar pessoas ligadas à facção e inseri-las na estrutura do poder público.
A decisão também aponta que a influência de Cynthia se manteria ao longo do tempo devido à sua relação familiar com o prefeito, o que, em tese, garantiria a continuidade do esquema dentro da administração municipal.


