
O resultado das urnas em Campina Grande deixou uma leitura política difícil de ignorar: Jhony Bezerra superestimou o tamanho do patrimônio eleitoral que poderia chamar de seu após a disputa pela Prefeitura em 2024.
Naquele ano, Jhony chegou ao segundo turno e conquistou quase 100 mil votos contra Bruno Cunha Lima. O desempenho o colocou no centro da política campinense e alimentou a percepção de que havia surgido uma nova liderança com musculatura eleitoral própria na Rainha da Borborema.
Dois anos depois, veio o teste.
Jhony deixou o PSB, rompeu politicamente com João Azevêdo e com o grupo governista e apostou que conseguiria carregar consigo parcela significativa daquele eleitorado. A eleição para deputado federal virou, portanto, uma oportunidade para medir até onde chegava sua força individual.
As urnas apresentaram uma realidade bem diferente. Em Campina Grande, Jhony obteve pouco mais de 15 mil votos, muito abaixo da expectativa criada em torno de seu desempenho na cidade.
É evidente que uma eleição para prefeito não pode ser comparada mecanicamente com uma disputa proporcional para deputado federal. São eleições diferentes, com circunstâncias, alianças e comportamentos eleitorais distintos. Mas a distância entre os quase 100 mil votos de 2024 e o desempenho de 2026 é grande demais para passar despercebida numa análise política.
Em 2024, Jhony tinha ao seu lado João Azevêdo, deputados, vereadores, lideranças e toda uma estrutura política que ajudou a levá-lo ao segundo turno. Dois anos depois, longe desse agrupamento, o resultado foi outro.
Jhony rompeu acreditando que conseguiria carregar consigo parte expressiva daqueles votos. As urnas mostraram os limites dessa aposta.
E, para quem ainda tinha dúvida sobre de onde vinha a força que levou Jhony aos quase 100 mil votos em 2024, o resultado de 2026 oferece um argumento poderoso para o debate.
Sem João, Jhony voltou a ser apenas o doutor. Na leitura desta coluna, a conclusão é simples: a força sempre foi de João.


