
Uma licença do veterano vereador Durval Ferreira (PL), que soma 38 anos consecutivos na Câmara Municipal de João Pessoa, abriu espaço para a chegada de um novo nome ao Legislativo da Capital. Quem assumiu a vaga nesta terça-feira foi Eder Caxias (PL), mais conhecido como Eder da Jampa, suplente eleito em 2024 com 2.540 votos.
Hoje ligado ao setor empresarial, Eder ganhou espaço em João Pessoa através da atuação no mercado imobiliário popular. Médico veterinário de formação, é fundador do Grupo Jampa e proprietário da Jampa Imobiliária, empresa que cresceu negociando imóveis voltados principalmente para a população de baixa renda dentro de programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida, criado e ampliado nos governos do PT.
Antes da política e do empresariado, Eder construiu carreira no futebol paraibano. Conhecido como Eder Caxias nos gramados, integrou o quadro nacional de arbitragem da CBF entre 2009 e 2018 e chegou a ser um dos árbitros mais influentes do futebol estadual naquele período.
Com forte prestígio dentro da antiga Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (Ceaf-PB), comandada à época por José Renato, Eder era frequentemente escalado para jogos importantes do Campeonato Paraibano. Apesar disso, nunca conseguiu projeção nacional expressiva, atuando principalmente em partidas das Séries C e D do Campeonato Brasileiro.
A trajetória no futebol terminou de forma turbulenta após a Operação Cartola, investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba em 2018 para apurar suposto esquema de manipulação de resultados no futebol estadual.
Naquele mesmo ano, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu banir Eder Caxias do futebol profissional. A punição ocorreu após denúncia da Procuradoria do órgão, que apontou participação do então árbitro em manipulação de partidas do Campeonato Paraibano.
Eder foi condenado ao lado de dirigentes, árbitros e integrantes da estrutura do futebol paraibano, entre eles o ex-presidente da Ceaf-PB, José Renato, além de nomes ligados ao Campinense, Botafogo-PB e ao Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.
Apesar da punição esportiva, a situação teve outro desfecho na Justiça comum. Em maio de 2024, o juiz José Guedes Cavalcanti Neto, da 4ª Vara Criminal de João Pessoa, absolveu Eder Caxias ao entender que não existiam provas suficientes para condená-lo por manipulação de resultados.
Mesmo absolvido criminalmente, Eder continua banido do futebol pelo STJD. A própria secretaria do tribunal confirmou que a decisão segue válida e sem alterações até o momento.
Um fato curioso aconteceu em 2025. Mesmo ainda punido esportivamente, Eder foi indicado pela Federação Paraibana de Futebol para atuar como analista de arbitragem da CBF durante a gestão de Michelle Ramalho e Arthur Alves. O nome dele chegou a constar oficialmente na relação da entidade nacional ao longo da temporada.
Na prática, porém, Eder não atuou em partidas oficiais da CBF e acabou retirado da lista em 2026. Coincidência ou não, no mesmo período a Jampa Imobiliária, empresa do agora vereador, patrocinava a arbitragem paraibana, estampando a marca nas camisas dos árbitros durante o Campeonato Paraibano.
Com informações do Blog do Pedro Alves


