
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma ocorrência envolvendo o ex-governador da Paraíba e deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT), registrada na noite dessa segunda-feira (2), na Vila Olímpica de Santa Maria, no Distrito Federal. O caso teve início após relatos de que o político teria piscado os faróis de um veículo e feito gestos em direção a crianças que estavam nas proximidades do centro esportivo.
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, uma equipe foi acionada após uma denúncia envolvendo um homem de 65 anos, de cabelos brancos, que estaria dentro de um automóvel acionando repetidamente as luzes e fazendo gestos para crianças.
Testemunhas relataram que adolescentes perceberam a movimentação do veículo e afirmaram ter visto o motorista fazendo sinais de coração com as mãos. A situação chamou a atenção de pessoas que estavam no local, que decidiram abordar o condutor para pedir esclarecimentos.
O pai de uma das crianças também prestou depoimento e confirmou que o filho havia relatado comportamento semelhante por parte de um homem que estava em um veículo de grande porte.
Ricardo Coutinho apresenta versão diferente à polícia
Em depoimento à Polícia Civil, Ricardo Coutinho negou qualquer conduta inadequada e apresentou uma versão diferente dos acontecimentos.
Segundo o ex-governador, ele chegou ao complexo esportivo por volta das 18h42 para acompanhar o enteado, que participaria de uma atividade em uma escola de futebol. Após ser informado de que não poderia utilizar o estacionamento interno, procurou uma vaga nas proximidades.
Ricardo afirmou que permaneceu por alguns instantes dentro do automóvel procurando um documento e que, ao sair, acionou o alarme para travar as portas, o que teria provocado o acionamento das luzes do veículo.
O político declarou ainda que não percebeu a presença de crianças brincando nas proximidades do estacionamento.
Conforme seu relato, depois de entrar no ginásio e se sentar na arquibancada, foi abordado por um adolescente que o questionou sobre as luzes do automóvel. Ricardo afirmou ter ficado assustado com a abordagem e suspeitado de uma possível tentativa de golpe.
Ao deixar o ginásio, encontrou outras pessoas reunidas nas proximidades da portaria, que também passaram a questioná-lo sobre o ocorrido.
Defesa nega prisão e denuncia suposta tentativa de extorsão
Em nota divulgada nesta terça-feira (3), a defesa de Ricardo Coutinho negou informações de que o ex-governador teria sido preso por suspeita de aliciamento de crianças.
Os advogados sustentam que o político foi vítima de uma tentativa de golpe e extorsão enquanto acompanhava o enteado em uma atividade esportiva.
Segundo a defesa, Ricardo teria acionado a Polícia Militar após se sentir ameaçado durante a abordagem. Os advogados apresentaram o número de uma ocorrência registrada no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para sustentar que o próprio ex-governador solicitou a presença policial.
A defesa afirma ainda que Ricardo compareceu à delegacia para denunciar as supostas ameaças e calúnias, prestou esclarecimentos e foi liberado.
Entretanto, o documento da Polícia Civil ao qual a imprensa teve acesso registra que o político foi conduzido à unidade policial por agentes de segurança.
Os advogados também informaram que pretendem adotar medidas judiciais contra veículos de comunicação responsáveis pela divulgação de informações que consideram falsas, caluniosas e difamatórias.
Caso será investigado pela 33ª Delegacia de Polícia
A ocorrência foi inicialmente registrada na 20ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal e posteriormente encaminhada à 33ª Delegacia, responsável pela região administrativa de Santa Maria, onde está localizado o centro esportivo.
O registro policial foi comunicado às 20h40 de segunda-feira (2) e homologado às 6h41 desta terça-feira (3).
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do episódio, incluindo os relatos das testemunhas, a versão apresentada por Ricardo Coutinho e as alegações de ameaça e tentativa de extorsão feitas pela defesa.
Até o momento, não há informação de prisão relacionada à ocorrência. O caso permanece em apuração, e os relatos registrados ainda não representam conclusões sobre eventual prática de crime.


